sábado, 20 de agosto de 2011

ORAÇÃO DO SANTO SEPULCRO

Cópia de uma letra e oração, achadas no Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo, e conservada  pelo Imperador Carlos II, em seu oratório, em caixa de prata. 

Desejando, Santa Elisabete, rainha da Hungria, Santa Matilde e Santa Brígida saber alguma coisa da Paixão de Cristo, fizeram muitas particulares orações, em seguida as quais lhes apareceu Jesus Cristo, falando com elas assim: "Servas minhas prediletas, sabei que os soldados armados foram 150; assim, os que me conduziram foram 23; e os executores de justiça foram 33; socos que me deram na cabeça foram 150; no peito 108; golpes nas espáduas 80.
Fui arrastado com cordas pelos cabelos 23 vezes; cuspiram-me no rosto 30 vezes; pancadas que me deram no corpo foram 6.666; destas, as que recebi na cabeça foram 110; deram-me um murro mortal no coração.
Estive no ar, pelos cabelos, duas horas, dei, de um tempo, de 192 suspiros; fui arrastado e puxado pela barba 23 vezes; chagas na cabeça 20; espinhos na cabeça 110; espinhos de junco marinho 92; espinhos na testa 3; depois fui flagelado.
vestiram-me de rei da burla; e cuspiram-me no rosto 150 vezes; chagas no corpo 1.000; soldados que me conduziram ao Calvário, 980; soldados  que me vigiaram eram 3.
 Gotas de sangue que derramei foram 38.430.”
"A toda pessoa que rezar 7 Pai Nossos, 7 Ave- Marias e 7 Glórias ao Pai, pelo espaço de 15 anos continuados, para completar o número de gotas de sangue derramado por mim, concedo cinco graças que são:

Primeira
- Indulgência plenária e remissão de todos os seus pecados;
Segunda-Será livrado das penas do Purgatório;
Terceira- Se morrer antes de ter completado os 15 anos, será como se os tivesse completado;
Quarta- Será como se fosse um mártir e derramasse todo o seu sangue pela santa fé;
Quinta-Virei Eu do Céu pela alma dos seus parentes até à quarta geração.”

”Aquele que trouxer consigo esta oração não morrerá afogado, nem de má sorte, será livrado do contágio, da peste e do raio, não morrerá sem confissão; será livre de seus inimigos, do poder da justiça, de ações más e falso testemunho;
E a mulher que não puder dar à luz, pondo esta oração no pescoço, logo dará e sairá do perigo. As casas onde estiver esta oração não sofrerão traição nem outras coisas e, 40 dias antes da hora da morte, verão a Beata Virgem Maria."

Um capitão espanhol, viajando por terra perto de Barcelona, viu uma cabeça cortada do corpo, a qual lhe falou assim: "Viajante, como vais a Barcelona, conduz-me a um confessor, porque já faz três dias que os ladrões me mataram, e não posso morrer sem me confessar". 
O capitão conduziu um confessor ao mesmo lugar: a cabeça vivente se confessou e depois expirou; foram ver o corpo do qual a cabeça estava cortada e acharam-lhe a dita oração, a qual foi aprovada por vários tribunais da Santa Religião, e pela rainha da Espanha.

Os mesmos Pais-Nossos podem ser aplicados por qualquer intenção, com a invocação das gotas de sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. 

Outra semelhante cópia foi milagrosamente achada no lugar de Possuit, três léguas distantes de Marselha, escrita em letras de ouro, por obra divina, trazida por um menino de 7 anos do mesmo lugar de Possuit, em 2 de janeiro de 1752; com a declaração seguinte:
"Diz Deus que todos os que trabalharem no dia de domingo serão amaldiçoados da minha parte, porque no domingo devem ir à igreja rogar para que se perdoem os seus pecados. Por isso deixei seis dias de trabalho, e o sétimo para descansar e fazer exercícios de devoção, e da vossa abundância dai aos pobres, e assim, a vossa gente será abençoada e cheia de graça. E pelo contrário, aqueles que não acreditarem na presente oração serão amaldiçoados, eles e seus filhos, e lhes mandarei a fome, peste e guerra, dor e angustia de coração, em prova do meu desgosto. Verão sinais do Céu, trovões e terremotos; aqueles que julgarem que estas letras não foram escritas por obra divina e ditadas por minha sagrada boca, e aqueles que a tiveram maliciosamente escondida sem a publicarem a outras pessoas, serão amaldiçoados e confundidos, e no dia do juízo. Ao contrário, quem  a publicar - ainda que tenha cometido tantos pecados como estrelas há no céu - lhe serão perdoados, porque verdadeiramente se verá arrependido de me ter ofendido, ainda que tenha feito alguma injúria ao seu próximo, pedirá perdão de todos os seus pecados".
Aqueles que copiarem, lerem, ou derem a ler esta oração e a conservarem dentro de casa, nunca passarão por perigos.

MÚSICA DE/PARA DEUS | NOSSA SENHORA DA LUZ

A BOA NOVA

Mateus 23, 1-12

Naquele tempo, 1Jesus falou às multidões e aos seus discípulos: 2“Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. 3Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. 4Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo. 5Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros. Eles usam faixas largas, com trechos da Escritura, na testa e nos braços, e põem na roupa longas franjas. 6Gostam de lugar de honra nos banquetes e dos primeiros lugares nas sinagogas. 7Gostam de ser cumprimentados nas praças públicas e de serem chamados de Mestre.
8Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de Mestre, pois um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos. 9Na terra, não chameis a ninguém de pai, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10Não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é o vosso Guia, Cristo. 11Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. 12Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”.

Palavra da Salvação. 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

AMO PORQUE AMO, de SÃO BERNARDO

O amor basta-se a si mesmo, em si e por sua causa encontra satisfação. É seu mérito, seu próprio prêmio. Além de si mesmo, o amor não exige motivo nem fruto. Seu fruto é o próprio ato de amar. Amo porque amo, amo para amar!
Grande coisa é o amor, contanto que vá a seu Princípio, volte à sua Origem, mergulhe em sua Fonte, sempre beba donde corre sem caçar.
De todos os movimentos da alma, sentidos e afeições, o amor é o único com que pode a criatura, embora não condignamente, responder ao Criador e, por sua vez, dar-lhe outro tanto. Pois quando Deus ama não quer outra coisa senão ser amado, já que ama para ser amado; porque sabe que serão felizes pelo amor aqueles que o amarem.
O amor do Esposo, ou melhor, o Esposo-amor somente procura a resposta do amor e a fidelidade. Seja permitido à amada responder ao Amor! Por que a esposa - e esposa do Amor – não deveria amar? Por que não seria amado o Amor?
É justo que, renunciando a todos os outros sentimentos, única e totalmente se entregue ao amor, aquela que há de corresponder a ele, pagando amor com amor. Pois mesmo que se esgote toda no amor, que é isto diante da perene corrente do amor do outro?
Certamente não corre com igual abundância o caudal do amante e do Amor, da alma e do Verbo, da esposa e do Esposo, do Criador e da criatura; há entre eles mesma diferença que entre o sedento e a fonte.
E então? Desaparecerá por isto e se esvaziará de todo a promessa da desposada, o desejo que suspira, o ardor da que a ama, a confiança da que ousa, já que não pode de igual para igual correr com o gigante, rivalizar a doçura com o mel, a brandura com o cordeiro, a alvura com o lírio, a claridade com o sol, a caridade com aquele que é a caridade?
Não. Mesmo amando menos, por ser menor, se a criatura amar com tudo o que é, haverá de dar tudo. Por esta razão, amar assim é unir-se em matrimônio, porque não pode amar deste modo e ser menos amada, de sorte que no consenso dos dois haja íntegro e perfeito casamento. A não ser que alguém duvide ser amado primeiro e muito mais pelo Verbo”.

São Bernardo de Clavaral, Abade e Doutor, Sermo 83, 4-6 in Opera Omnia (Editiones Cistercienses 2, 300-302)

SÃO BERNARDO DE CLARAVAL. HISTÓRIA

Varão de fogo, conselheiro de papas e monarcas, denominado pelo Papa Inocêncio II de "muralha inexpugnável que sustenta a Igreja", São Bernardo foi também admirável arauto da Virgem Maria e um dos primeiros apóstolos da mediação universal da Mãe de Deus.

O ambiente era de expectativa e seriedade.
A multidão comprimia- se, silenciosa, em torno de um homem ainda jovem, de fisionomia austera, que pregava à beira de um rio. Sua voz, grave e compassada, transmitia uma profunda paz de alma.

"Arrependei-vos, porque está próximo o reino de Deus. (...) Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas" (Mt 3, 2-3), afirmava com severidade. Depois continuava suavemente, quase enternecido: "Vem depois de mim quem é mais forte do que eu, ao qual não sou digno de desatar, prostrado em terra, a correia das sandálias" (Mc 1, 7).

João Batista, o último e maior dos profetas do Antigo Testamento, anunciava à nação eleita o próximo aparecimento do Salvador do gênero humano. E mais tarde, quando revelou a divindade do Messias ao proclamar: "Eis o Cordeiro de Deus, eis o que tira o pecado do mundo" (Jo 1, 29), a longa e grandiosa fileira dos profetas, que haviam predito o advento do Redentor e guiado o povo através dos séculos de espera, estava finalmente encerrada. Todas as profecias tinham-se cumprido.

A Revelação está completa, mas Deus deseja servir-se das causas segundas para comunicar seus divinos desígnios à humanidade. Assim, sempre suscitará Ele alguns varões e mulheres que indiquem o Caminho, ensinem a Verdade e transmitam a Vida à maioria dos homens. Esta realidade no-la explica São Tomás, na Suma Teológica: "Em todas as épocas houve alguns que possuíam o espírito profético, não para dar a conhecer doutrinas novas, mas para dirigir a vida humana".
O profeta do século XII
No século XII a Civilização Cristã havia atingido um auge que nenhum santo poderia ter imaginado nos albores duros e sangrentos da primeira época da Igreja: "A filosofia do Evangelho governava os Estados; a influência da sabedoria cristã e sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil" - afirmou Leão XIII na Immortale Dei.

O sustentáculo dessa sociedade sacral havia sido, durante mais de um século, a santidade emanada da abadia beneditina de Cluny. Tendo-se espalhado rapidamente por todo o Ocidente cristão, esses filhos de São Bento influenciavam e orientavam a espiritualidade e a cultura dos povos da Europa a partir do interior de seus imensos mosteiros, do alto dos púlpitos, desenvolvendo uma belíssima e aristocrática liturgia e encantando as multidões com o angélico canto gregoriano.

Entretanto, após alcançar o píncaro, a grandeza de Cluny desvanecia-se lentamente, quiçá por não ter havido almas generosas que, no ápice do esplendor, quisessem partir para novos extremos de santidade.

Surgiu então, não uma instituição, mas um homem que foi o reformador da disciplina eclesiástica, o modelo de todas as virtudes, a voz de Deus a indicar novos rumos àquela sociedade que começava a vacilar: Bernardo de Claraval.
Um misterioso desígnio
No ano de 1091 nascia num castelo da Borgonha o terceiro filho do senhor de Fontaines e da virtuosa dama Alet. Pouco antes de dar à luz o menino, teve ela um sonho tão nítido e expressivo que sua maternal intuição não deixou de ver nele um providencial aviso sobre o futuro do filho: tinha-lhe aparecido um cachorrinho de alvíssima pele que latia fortemente e sem cessar. Aflita, porém, por não alcançar uma clara interpretação que traduzisse seus pressentimentos, consultou um servo de Deus, o qual lhe respondeu: "O menino será um grande pregador e latirá continuamente para guardar a Casa de Deus, e curará as chagas de muitas almas".

Descendente de duas nobres famílias e pairando sobre ele esse misterioso vaticínio, criou-o sua mãe com especial esmero, e logo que foi possível o enviou a uma famosa escola na cidade de Châtillon-sur-Seine.

Seu grande talento intelectual causava admiração aos mestres e prometia-lhe uma brilhante carreira. A índole afável e um tanto tímida de Bernardo possuía uma nota de nobreza e amenidade que atraía muitos a ele. Em pouco tempo, sentiu arder na alma o desejo da glória da ciência e de uma existência mundana vivida na opulência. O demônio, o mundo e a carne tentaram incontáveis vezes arrastá- lo para a perdição, mas, apesar desses assaltos, conservou sempre íntegra sua inocência batismal.

Certa vez, sentindo especial atração por uma formosa e pouco virtuosa jovem, e querendo a qualquer preço evitar a menor falta, lançou-se num pequeno lago de água gelada (era inverno) e lá permaneceu, submergido até o pescoço, e dali o retiraram quase sem sentidos.
O chamado do Senhor
Contava Bernardo 21 anos de idade, e a graça divina havia muito batia às portas de seu coração ardente: "Para que vieste ao mundo?" Esta pergunta vinhalhe à mente com freqüência cada vez maior.

A radicalidade da vida monástica atraía aquela alma feita para grandes atos de heroísmo: abandonar honras, riqueza e família, consagrar-se para sempre ao serviço do Rei Eterno, viver daquele amor sobrenatural cujas labaredas cresciam sem cessar em seu interior... Entretanto, não faltavam parentes e amigos que o exortavam a seguir uma estrada mais larga: grandes glórias mundanas prometiam as incomuns qualidades do jovem Bernardo; sua precária saúde e débil compleição não suportariam as austeridades da vida religiosa; pode-se também servir a Deus sem enterrar num claustro os talentos de tão gentil caráter...

Afligido por esses pensamentos e combates, entrou certo dia numa igreja e implorou uma luz celeste que lhe desse a conhecer, sem sombra de dúvida, o desígnio de Deus a seu respeito. E o Senhor não tardou em socorrer seu escolhido que a Ele clamava.

Levantou-se Bernardo fortalecido e cheio de sobrenatural certeza, e dirigiu- se para um mosteiro quase desconhecido, fundado não havia muito tempo pelo santo abade Roberto de Molesmes e situado num bosque não distante do castelo de sua família: Cister.

Entretanto, não quis partir só para aquele austero claustro onde nascia, em meio a dificuldades sem conta, uma nova ordem religiosa: com inspirada eloqüência, arrastou consigo seu tio materno, quatro irmãos e mais trinta cavaleiros companheiros seus! 

O último irmão de Bernardo, por ser ainda muito novo, escutou as seguintes palavras: "Fica com Deus. Nós partimos para o mosteiro e te deixamos todos os nossos haveres". Desolado, o menino respondeu: "Vós conquistais o Céu e me deixais a terra? Má partilha esta!" E poucos dias depois, bateu àquelas benditas portas que já tinham acolhido seus cinco irmãos mais velhos...
O vale da luz
Se exíguo tinha sido durante muitos anos o número de monges de Cister, logo ficaram estreitas, graças a Bernardo, suas rudes paredes de pedra.
Por ordem de seu superior, agora Santo Estevão Harding, partiu ele, acompanhado de doze companheiros, a fundar uma nova abadia. Tinha apenas 25 anos.

A paragem escolhida foi um isolado e sombrio vale, temido por causa dos ladrões que ali se refugiavam. Mas em pouco tempo a floresta cedeu lugar aos campos cultivados, os muros começaram a elevar-se, vozes puras e varonis fizeram ecoar a laus perenni naquelas vastidões, e a luz divina refletida por São Bernardo dissipou as obscuridades do lugar, que passou a chamar-se Clara Vallis - Claraval.

Atraídos pela fama de santidade que logo aureolou esse mosteiro, acorreram numerosos jovens, nobres e plebeus, cultos e ignorantes, desejosos de seguir a Cristo na pobreza, obediência e castidade, sob a direção de jovem abade. Passou assim de 700 o número de monges que enchiam a abadia do vale da luz.
Voz e braço de Deus
Mas a luz não foi feita para ser escondida e sim para iluminar e brilhar aos olhos de todos (cfr. Mt 5, 15-16). Em vão procurava Bernardo a solidão e o silêncio de seu amado vale. Contra sua vontade, tornou-se o conselheiro de Papas, bispos e monarcas, o diretor espiritual da Europa medieval, o Moisés da Cristandade.

Não havia pregador mais ardente nem personagem com maior prestígio do que ele. Venerado como santo pelas multidões e reconhecido como profeta e taumaturgo, sua mera presença, suas palavras e escritos despertavam um entusiasmo novo e combatiam vitoriosamente as heresias e os adversários da Igreja.

Tendo-se levantado naquele tempo um perigoso cisma na Igreja de Deus, quase todos os fiéis vacilavam, desorientados, entre o legítimo Pontífice e um antipapa chamado Anacleto. Teólogos e doutores discutiam com denodo argumentos em favor de um ou de outro, sem chegar a resultados convincentes ou definitivos. Os olhos de muitos voltaram-se então para o santo abade de Claraval, à procura de uma palavra que resolvesse a espinhosa questão. Acudiu Bernardo ao Concílio de todos os bispos do reino da França, e com sua inspirada e ardente eloqüência decidiu o voto da assembléia em favor do legítimo Papa, Inocêncio II.

Entretanto, o incêndio da divisão não se extinguiu imediatamente. Na província da Gasconha, o orgulho de um bispo sustentado pela ambição de um conde da região, ainda se levantava contra o verdadeiro pastor da Santa Igreja.

O Papa enviou São Bernardo para pôr fim a esta triste situação, na expectativa de que a sabedoria do santo triunfaria onde os raciocínios dos teólogos haviam fracassado. Mas em vão tentou ele reduzir à justa obediência o agitado espírito do bispo revoltado. Procurou, então, convencer o despótico conde, demonstrando- lhe a loucura de sua posição. Ambos, porém, ébrios de orgulho, obstinavam- se no erro.

Contristado ante tanta maldade, mas decidido a fazer prevalecer a autoridade do Sumo Pontífice, convocou Bernardo todo o povo à catedral da cidade e celebrou solenemente o Santo Sacrifício do altar. Após a Consagração, levando em suas mãos o Santíssimo Sacramento sobre uma patena, dirigiu- se à praça onde se encontrava o conde que, por estar excomungado, não podia entrar no templo. Olhando- o severamente, disse-lhe com voz ameaçadora: "Nós te rogamos e tu nos desprezaste; muitos servos de Deus suplicaram e tu de ninguém fizeste caso. Eis que o Filho da Virgem, Cabeça e Senhor da Igreja que tu persegues vem à tua presença! É o Juiz em cujas mãos um dia tua alma cairá. Vejamos se também a Ele viras as costas como a nós as tornaste!" 

Como outrora os vendilhões do Templo de Jerusalém haviam fugido diante do Mestre irado, o infeliz conde, ao escutar essas palavras, rolou por terra, aterrorizado. Levantou-se depois, tocado finalmente pela graça de Deus, prostrou-se cheio de arrependimento aos pés do santo abade e fez tudo quanto este lhe ordenou. Travou mais tarde tão estreita amizade com Bernardo que, seguindo seus santos conselhos, abandonou o mundo e acabou seus dias num convento. O bispo recalcitrante, porém, obstinado em sua malícia, foi um dia achado morto em sua cama, sem confissão nem viático.
Arauto de Nossa Senhora
Mas este varão de fogo, denominado pelo Papa Inocêncio II de "muralha inexpugnável que sustenta a Igreja", passou para a História com o título de "Doutor Melífluo", porque a unção de suas exortações levava todos a afirmar que seus lábios destilavam puríssimo mel.

Quem, no mundo cristão, não conhece a incomparável e doce prece "Lembrai- vos", a ele atribuída? Foi um dos primeiros a chamar de "Nossa Senhora" a Mãe de Deus. Conta a tradição que, escutando certa feita seus irmãos cantarem a Salve Regina, irrompeu de seu coração pervadido de enlevo a tríplice exclamação que hoje coroa esta oração: "Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria!" Foi também um dos primeiros apóstolos da mediação universal de Maria Santíssima, deixando esta doutrina claramente consignada em numerosos sermões: 

"Porque éramos indignos de receber qualquer coisa, foi-nos dada Maria para, por meio d'Ela, obtermos tudo quanto necessitamos. Quis Deus que nós nada recebamos sem haver passado antes pelas mãos de Maria.  (...) Com o mais íntimo de nossa alma, com todos os afetos de nosso coração e todos os sentimentos e desejos de nossa vontade, veneremos a Maria, porque esta é a vontade d'Aquele Senhor que quis que tudo recebamos por Maria."
"Vinde, bendito de meu Pai"
Retornando de uma missão apostólica, quando já estava com 63 anos de idade, curou uma mulher cega, na presença de uma enorme multidão que acorria para venerá-lo. Foi o último milagre realizado na sua existência terrena.

Ao chegar a seu amado mosteiro de Claraval, sentia-se desfalecer. Mas transbordava de sua alma a serena confiança do navegante que finalmente avista o porto anelado

Ele mesmo, numa carta, dá conta de sua derradeira moléstia, pouco antes de partir para a eternidade: "O sono foge de mim, para que a dor não se mitigue estando os sentidos adormecidos. Quase tudo o que padeço são dores no estômago. Para nada ocultar a um amigo que deseja conhecer o estado de seu amigo, e falando não como sábio, segundo o homem interior, digo-vos que o espírito está pronto, na carne fraca. Rogai ao Salvador, o qual não quer a morte do pecador, que não atrase mais o meu fim, mas o guarde e ampare".
Bispos, abades e monges circundavam o leito onde agonizava aquele profeta do Senhor. Choravam eles o superior que aconselhava, o doutor que ensinava, o pai que os amava, o varão de Deus que os santificava. Mas este até o último alento os animou e consolou, e com grande despretensão dizia que já era tempo de um servo inútil passar a outro aquele cargo, e uma árvore estéril ser arrancada...

No dia 20 de agosto de 1153, às nove horas da manhã, entregou sua puríssima alma a seu Criador e Redentor.
Pe. Pedro Morazzani Arráiz, EP
(Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2006, n. 56, p. 22 à 25)

MÚSICA DE/PARA DEUS | ESTOU AQUI

ORAÇÃO DA FAMÍLIA

Senhor, nós vos louvamos pela nossa família e agradecemos a vossa presença em nosso lar.
Iluminai-nos para que sejamos capazes de assumir nosso compromisso de fé na Igreja e de participar da vida de nossa comunidade.
Ensinai-nos a viver a vossa palavra e o Vosso mandamento de Amor, a exemplo da FAMÍLIA DE NAZARÉ.
Concedei-nos a capacidade de compreendermos nossas diferenças de idade, de sexo, de caráter, para nos ajudarmos mutuamente, perdoarmos nossos erros e vivermos em harmonia.
Dai-nos, Senhor, saúde, trabalho e um lar onde possamos viver felizes.
Ensinai-nos a partilhar o que temos com os mais necessitados e empobrecidos, edai-nos a graça de aceitar com fé e serenidade a doença e a morte quando se aproximem de nossa família.
Ajudai-nos a respeitar e incentivar a vocação de nossos filhos quando quiserdes chamar a Vosso serviço.
Que em nossa família reine a confiança, a fidelidade, o respeito mútuo, para que o amor se fortifique e nos una cada vez mais.
Permanecei em nossa família, Senhor, e abençoai nosso lar hoje e sempre. Amém!

A BOA NOVA

Mateus 22, 34-40

Naquele tempo, 34os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo, 35e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo:36”Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” 37Jesus respondeu: “ ‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!’ 38Esse é o maior e o primeiro mandamento. 39O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. 40Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos”.

Palavra da Salvação. 

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

ORAÇÃO A SANTA HELENA





Gloriosa e esclarecida Santa Helena: por aquele ardor com que procurou a Cruz de Cristo, rogo-te que interceda perante Deus, a fim de alcançar a graça para levar com paciência os trabalhos desta vida, para que com eles e mediante sua intercessão e amparo, procurar e achar a Cruz, que Deus dispôs me dar para lhe servir com ela nesta vida e depois lhe gozar na glória. Amém

MÚSICA DE/PARA DEUS | NOVA GERAÇÃO

A PALAVRA DO ARCEBISPO

Operário da vinha do Senhor
Na próxima quinta-feira, dia 18 de agosto, o Papa Bento XVI chegará a Madri, para presidir a Jornada Mundial da Juventude. Espera-se um milhão e quinhentos mil jovens do mundo todo para esse acontecimento. Os mais de 14 mil jovens brasileiros que lá estarão farão a experiência antecipada pelo Salmista: “Oh! como é bom, como é agradável, os irmãos viverem juntos!” (Sl 133/132,1).         
Volto ao tempo. Lembro-me do dia 19 de abril de 2005. Na Praça de S. Pedro, no Vaticano, fiéis do mundo inteiro estavam com os olhos fixos na pequena chaminé da Capela Sixtina. Quando apareceu a fumaça branca, todos explodiram num grito de alegria, na certeza de que o mundo tinha um novo papa. Os sinos da Basílica começaram a tocar. Pouco depois, o Cardeal Medina, do Chile, proclamou: “Habemus Papam” (Temos Papa!). Em seguida, anunciou o nome do sucessor de João Paulo II: Cardeal Joseph Ratzinger, que escolheu o nome de Bento XVI. Quando o novo Papa apareceu na sacada da Basílica, com um semblante sereno e tímido, e acenou para a imensa multidão, parecia pedir desculpas por estar ali. Disse, então, suas primeiras palavras como sucessor de Pedro: “Sou um humilde operário da vinha do Senhor!”
Nessa sua auto apresentação, estava sintetizado seu programa pastoral. O novo “operário da vinha do Senhor” sabia que não tinha nem o jeito de ser nem a popularidade de seu antecessor, o Papa João Paulo II, que demonstrara imensa capacidade de arrebatar multidões. Aos poucos, porém, Bento XVI passou a conquistar o mundo, justamente por sua simplicidade.  
Grande teólogo e profundo conhecedor das responsabilidades e dos desafios da Igreja, nosso Papa tem a capacidade de apresentar as riquezas do Evangelho de forma simples e objetiva. Demonstrou isso já em sua primeira encíclica, “Deus caritas est” (Deus é amor). Essa expressão da Primeira Carta de S. João exprime, com singular clareza, o centro da fé cristã. O amor de Deus por nós é questão fundamental para a nossa vida e coloca questões decisivas sobre quem é Deus e quem somos nós.
Poucos meses depois de eleito, Bento XVI fez seu primeiro grande teste com os jovens, quando os encontrou em Colônia, na Jornada Mundial da Juventude. Ali, como depois em Sidnei, teve a coragem de lhes apontar elevados e exigentes ideais, na certeza de que só os conquistaria para Jesus Cristo se lhes falasse a verdade: “Os santos são os verdadeiros reformadores do mundo… Só dos santos, só de Deus provém a verdadeira revolução, a mudança decisiva do mundo… Não são as ideologias que salvam o mundo, mas unicamente a volta ao Deus vivo, que é o nosso criador, a garantia de nossa liberdade, a garantia daquilo que é realmente bom e verdadeiro… O que nos pode salvar a não ser o amor?… Não devemos construir para nós um Deus pessoal, um Jesus pessoal; somos chamados a crer e nos prostrar diante daquele Jesus que nos é mostrado pelas Sagradas Escrituras e que na grande procissão dos fiéis chamada Igreja se revela vivo, sempre conosco e, ao mesmo tempo, sempre diante de nós” (20.08.05).
Dia 29 de junho passado, depois de me impor o pálio – colar de lã que lembra o cuidado que o Arcebispo deve ter com as ovelhinhas de Jesus e a unidade que precisa manter com o sucessor de Pedro –, sabendo que eu sou Arcebispo de Salvador, disse-me, entre outras coisas: “Ah! Sucessor do Cardeal Majella e do Cardeal Lucas Neves!”. Julguei o momento adequado para lhe pedir: “Reze por minha Arquidiocese”. Com um sorriso, ele deu uma bênção especial para todo o nosso povo.
Nosso projeto de vida deve ser caminhar com a Igreja. Ora, o Bispo de Roma, sucessor de Pedro, tem na Igreja a missão de ser o princípio visível de unidade da fé e da comunhão. Estejamos, pois, atentos aos ensinamentos de Bento XVI na Espanha. Afinal, “a Igreja precisa de homens e mulheres cuja vida seja transformada pelo encontro com Jesus; homens e mulheres capazes de comunicar essa experiência aos outros. A Igreja precisa de santos. Todos somos chamados à santidade, e só os santos podem renovar a humanidade” (Bento XVI, 06.08.06).

MÚSICA DE/PARA DEUS | DEUS IMBATÍVEL

ORAÇÃO A SANTA HELENA


Rogamo-lhe, Santa Helena, que interceda perante Deus por nós; enchendo de plenitude nossas vidas; dando solução a nossos problemas e necessidades; abençoando nossas famílias, instituições e suas atividades.
Necessitamos a força do Espírito Santo, para viver a palavra de Deus em nossos lares, até obter que em nossas famílias, pela presença viva de Cristo, brilhe a luz do Amor Cristão.
Nos dê a unidade que nos faça fortes ao caminhar pelas sendas do Amor, a Justiça, a Liberdade e a Paz, para que todos vivamos como irmãos sob sua Santa proteção. Amém

A BOA NOVA

Mateus 22, 1-14

Naquele tempo, 1Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, 2dizendo: “O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho. 3E mandou seus empregados chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram vir.
4O rei mandou outros empregados, dizendo: ‘Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde para a festa!’ 5Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, 6outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram.
7O rei ficou indignado e mandou suas tropas, para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles. 8Em seguida, o rei disse aos empregados: ‘A festa de casamento está pronta, mas os convidados não foram dignos dela. 9Portanto, ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encon­trar­des’.
10Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados. 11Quando o rei entrou para ver os convidados observou ali um homem que não estava usando traje de festa 12e perguntou-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?’ Mas o homem nada respondeu.
13Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na escuridão! Ali haverá choro e ranger de dentes’. 14Porque muitos são chamados, e poucos são escolhidos”.

Palavra da Salvação. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

NOSSA SENHORA DE SCHOENSTATT. O TÍTULO

O título da imagem da Mãe Peregrina de Schoenstatt.
Nos Santuários de Schoenstatt Maria é venerada como Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt.

Ela é Mãe que nos foi dada por Jesus agonizante na cruz: "Eis aí tua Mãe!" (Jo, 19,27). Naquele momento João representou toda a humanidade, aceitou-a como Mãe e a levou para sua casa. Enquanto peregrinamos nesta terra, Maria cuida de nós com solicitude maternal.

Ela é Rainha, porque Mãe de Cristo, o Rei do Universo. Por esta dignidade está acima de todas as criaturas. Deus a fez Imaculada, concebida sem pecado original, cheia de graça. Depois da sua Assunção ao céu foi coroada como rainha do céu e da terra.

Ele é Vencedora pelo poder que Deus lhe concedeu de vencer e triunfar sobre o mal e o pecado. É Vencedora em nós, Vencedora em todos os nossos problemas e dificuldades.

Maria é Três Vezes Admirável pela grandeza de sua proteção junto a Deus Uno e Trino

como Mãe de Deus
como Mãe do Redentor
como Mãe dos Remidos

"De Schoenstatt". Esta palavra foi incluída no título para recordar o nome do lugar (às margens do Reno na Alemanha) onde surgiu o primeiro Santuário, que deu origem à grande Obra de renovação. A palavra significa belo lugar.

Fonte: Manual da Campanha Mãe Peregrina de Schoenstatt

MÚSICA DE/PARA DEUS | VEM PRA CASA

A BOA NOVA

A BOA NOVA
Mateus 20, 1-16a

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: 1“O Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. 2Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha. 3Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo, viu outros que estavam na praça, desocupados, 4e lhes disse: ‘Ide também vós para a minha vinha! E eu vos pagarei o que for justo’. 5E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa. 6Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse: ‘Por que estais aí o dia inteiro desocupados?’ 7Eles responderam: ‘Porque ninguém nos contratou’. O patrão lhes disse: ‘Ide vós também para a minha vinha’. 8Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos, começando pelos últimos até os primeiros!’
9Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde e cada um recebeu uma moeda de prata. 10Em seguida vieram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais. Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata. 11Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: 12‘Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro’.
13Então o patrão disse a um deles: ‘Amigo, eu não fui injusto contigo. Não combinamos uma moeda de prata? 14Toma o que é teu e volta para casa! Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti. 15Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?’16aAssim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos”.

Palavra da Salvação. 

terça-feira, 16 de agosto de 2011

ACABA DE COMEÇAR A JMJ 2011 EM MADRID

"Enraizados e edificados em Cristo, inabaláveis na fé"
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ORAÇÃO DE FÉ

Senhor Deus, Criador do Céu e da Terra poderoso é o Vosso Nome, grande é a vossa misericórdia:
Em nome do Vosso Filho, Jesus Cristo, recorremos a Vós neste momento para pedirmos benção para nossas vidas. 
Que Vossa Divina Luz insida sobre mim.
Com Vossas Mãos retirai todo mal, todos os problemas e todos os perigos que estejam ao nosso redor. Que as forças negativas que nos abatem e entristecem se desfaçam ao sopro de Vossa benção. O Vosso poder desfrute todas as barreiras que impedem o meu progresso.
E do Céu, Vossas virtudes penetrem meu ser dando paz, saúde e prosperidade. Abra, Senhor, os nossos caminhos. Que nossos passos sejam dirigidos por Vós para que nós não tropecemos na caminhada da vida. Nosso viver, nosso lar, nossa família, o nosso trabalho, sejam por Vós abençoados.
Entrego-me em Vossas mãos poderosas, na certeza de que tudo vamos alcançar. Agradecemos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. 

Meu filho, vai em paz, a tua fé te salvou.
Na oração a graça alcançada.

A PALAVRA DO ARCEBISPO

   Os novos Moisés
A Bíblia é, ao mesmo tempo, o livro que nos revela os passos de Deus à procura do ser humano e o livro que apresenta as respostas do ser humano às propostas divinas. Cada pessoa ou comunidade tem muito a aprender com aqueles que exerceram missões na história da salvação. Somos convidados a olhar para suas virtudes, para imitá-los; a tomar conhecimento de suas fraquezas, para não repetirmos seus erros. De poucos personagens bíblicos temos a aprender tanto como de Moisés – ele que libertou os hebreus da escravidão egípcia, que lhes deu a Lei, promulgada no monte Sinai, e que os conduziu até a Terra Prometida.       
Moisés não queria acreditar no que ouvia. Mas como não acreditar se era o próprio Senhor quem lhe falava? “Vai, desce! Porque se corrompeu o teu povo que tiraste do Egito. Desviaram-se do caminho que prescrevi; fizeram para si um bezerro de metal fundido, prostraram-se diante dele e ofereceram-lhe sacrifícios…” (Ex 32,7-8). Mais difícil ainda era acreditar que seu próprio colega, Aarão, chamado também a ser líder, tinha aceitado a proposta da multidão, para fazer um deus que marchasse à sua frente. Mais: ele é que coordenara o recolhimento de brincos de ouro, fundira o bezerro e construíra o altar diante do qual eram oferecidos sacrifícios. Se para Moisés já não era fácil ver sua gente comendo, bebendo e fazendo festas em honra de um “deus” esculpido por mãos humanas, como, então, compreender a atitude de Aarão?
Mesmo assim, Moisés não aceitou o que o Senhor lhe propôs: “Deixa, pois, que se acenda minha cólera contra eles e os reduzirei a nada; mas de ti farei uma grande nação” (Ex 32,10). Moisés concordava que era uma raça “de cabeça dura”; no entanto, sentia-se responsável por ela e pediu ao Senhor misericórdia e perdão. O terrível gesto de idolatria teve sérias consequências para aquele povo chamado a ser “um reino de sacerdotes e uma nação consagrada” (Ex 19,6); não ocorreu, contudo, a rejeição que Moisés tanto temia.
Nosso tempo tem urgente necessidade de novos Moisés. Assim como o povo escolhido se cansou, em um dado momento, dos sacrifícios da caminhada, e procurou agarrar-se a coisas mais concretas, hoje não poucos cortam de suas vidas qualquer preocupação com a vida eterna e vivem em função do imediato, do palpável, do prazer aqui e agora. Pior do que o ateísmo intelectual é o ateísmo prático: não se discute a respeito da existência de Deus ou de temas como os “novíssimos” morte, juízo, inferno e paraíso; vive-se como se nada disso fosse realidade e acaba-se construindo um estilo de vida segundo a nova situação, dando um novo vigor à tese do filósofo francês Blondel: “Quem não vive como pensa, acaba pensando como vive”.
Necessitamos de novos Moisés. Não é preciso que reajam como o primeiro que, quando se aproximou do acampamento e viu o bezerro e as danças, “sua cólera se inflamou, arrojou de suas mãos as tábuas e quebrou-as ao pé da montanha. Em seguida, tomando o bezerro que tinham feito, queimou-o e esmagou-o até o reduzir a pó, que lançou na água e fez beber aos israelitas” (Ex 32,19-20). Os Moisés de hoje tenham a capacidade de interceder pelo povo com orações e súplicas; saibam oferecer a própria vida em favor dos irmãos; sejam tão seguros do que querem que não se importem se forem incompreendidos e ridicularizados; acreditem que é possível vencer o mal com o bem e, sobretudo, sejam animados de consoladora certeza: a semente, ao ser jogada na terra, desaparece, mas depois germina, transforma-se em planta que  produz frutos; a vida nasce da morte e a Cruz, com tudo o que significou de fracasso e humilhação, foi o passo necessário para que acontecesse a ressurreição.
Surjam logo os novos Moisés! E que eles não se esqueçam de levantar sua tenda de reunião, onde possam se entreter com Deus face a face, “como um homem fala com seu amigo” (Ex 33,11). A presença desses novos Moisés na terra dos homens será a garantia de que Deus não se cansou de seu povo, apesar dos bezerros de ouro que continuam a ser fabricados e adorados.
Dom Murilo S.R. Krieger, scj
Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil